Evento na Smed marca Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

30 de jul de 2019 - Jornalismo

Representantes do Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescendentes (Fiema) realizaram na Secretaria Municipal da Educação (Smed), na quinta (25), evento em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. Direcionado às mulheres que trabalham na Smed, o evento teve como objetivo apresentar as ações realizadas pelo projeto “Dona de Mim” que ocorre nas escolas municipais e envolve mães e estudantes do Ensino de Jovens e Adultos (EJA), mostrando possibilidades de empreendedorismo para essas alunas a se tornarem futuras empreendedoras, mostrando novas possibilidades de sustento e empoderamento.

“É muito importante mostrar esse trabalho para as colaboradoras daqui da Smed, pois através dessas ações resgatamos a autoestima das mulheres. O projeto Dona de Mim está sendo um meio de transformação, de levar um incentivo diferenciado para as mulheres. Assim, trazermos esse trabalho para cá em uma data tão importante como o 25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, para todas as mulheres, sejam elas negras, brancas, afrodescendentes, foi o ponto alto do nosso evento. Estou feliz com o excelente resultado”, ressaltou Rita Sales, coordenadora do Fiema.

Durante o evento, foram apresentados vídeos com músicas que retratam o empoderamento feminino e também das ações do projeto Dona de Mim, como palestras, a receita de geladinho gourmet – uma das formas das mulheres produzirem sua própria renda – e das oficinas de turbantes ministradas pela colaboradora do Fiema Edimeire do Rosário.

“Quando eu chego às escolas para falar sobre turbantes, às vezes, algumas criam um pouco de resistência e até criticam, pois não acham importante a oficina de turbantes. Mas depois, elas começam a interagir, a se abrir para novos conhecimentos e oportunidades, identificando-se comigo é muito gratificante”, contou Edimeire, ressaltando a gratificação em realizar o projeto. “Trabalhar através do “Dona de Mim” com essas mulheres negras que precisam de um apoio e oportunidade e fazer com que elas percebam que podem chegar onde quiser, pois autoestima delas está nelas mesmo, me faz sentir realizada e com a sensação de missão cumprida”.

Além da exibição dos vídeos foi realizado um sorteio de brindes para as colaboradoras e uma homenagem surpresa para Marilene Silva, que trabalha na copa e há 18 anos está na Smed. Tímida e feliz ela falou da surpresa. “Eu não esperava essa homenagem, estou feliz com o reconhecimento, faço meu trabalho com muito carinho e amor e adoro estar aqui”, revelou ela.

Quem esteve também presente ao evento foi a diretora pedagógica da Smed, Joelice Braga, que parabenizou pelo evento e as ações do projeto Dona de Mim. “Nós precisamos nos unir cada vez mais, é o que está ficando mais forte nas discussões das mulheres da sociedade, essa força de mulheres apoiando mulheres. Então, eu fico muito feliz em estar participando desse momento histórico e poder dizer que eu também contribuo para isso, aproveitando para parabenizar as ações do projeto que vem crescendo a cada dia mais em nossa rede Municipal”, finaliza.

Um pouco do projeto “Dona de Mim”

Pensando na valorização da mulher e no empoderamento feminino, principalmente na independência financeira, nasceu o Projeto “Dona de Mim”, projeto fruto de uma parceria entre o Fundo de Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescendentes (FIEMA) e a Coordenadoria da Alimentação Escolar (CAE), tendo como objetivo oferecer capacitação sobre boas práticas na produção e manipulação de alimentos.

Um pouco sobre o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha

Assim como o Dia Internacional da Mulher — comemorado em 8 de março —, o 25 de julho não tem o objetivo de ser uma data de festejos: a ideia é disseminar conhecimento sobre as desigualdades de gênero e raça que atingem a mulher negra e da América Latina, fortalecer as organizações que trabalham para diminuir essas desigualdades e reforçar os laços entre essas mulheres.

A data surgiu em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana. Lá, a discussão foi centrada no machismo e no racismo e em formas de combatê-los. A data foi, então, reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU).

No Brasil, o 25 de julho virou comemoração nacional em 2014, por meio da Lei 12.987/2014, quando passou a ser também o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra — em homenagem à líder quilombola que viveu no século XVIII, símbolo da resistência contra a escravização.

Motivos para luta não faltam: no Brasil, dois terços das mulheres assassinadas são negras, elas sofrem mais violência obstétrica do que as brancas e têm menos acesso à saúde e à educação formal, apenas para citar alguns aspectos.

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