Uma rápida busca pelos sites de pesquisa nos dá o significado real da palavra empatia: capacidade psicológica de compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. Com o objetivo de fazer os alunos refletirem sobre o tema, a Escola Municipal Olga Figueiredo, localizada no bairro de Cosme de Farias (GRE Centro), realizou na sexta-feira (25) uma atividade envolvendo estudantes de todas as turmas: a I Exposição Projeto Museu da Empatia.
Toda a estrutura da unidade de ensino foi utilizada para simular situações e fazer os alunos pensarem na melhor forma de se relacionar com o outro, colocando-se no lugar dele. A gestora da unidade de ensino, Roberta do Carmo, explica que a ideia começou a ser trabalhada a partir da observação das relações estabelecidas entre os alunos no cotidiano escolar, onde os alunos se tratavam com hostilidade, xingamentos e agressões. “Entendendo, enquanto educadora, que precisamos construir princípios basilares na relação humana, iniciei um diálogo com a equipe pedagógica sobre a forma como as pessoas tratavam o outro dentro da escola e o assunto tornou-se tema de discussão nas reuniões de planejamento já que era percebido os danos emocionais e pedagógico que essa realidade trazia”, pontua.
“Demos início ao segundo semestre realizando a sistematização do projeto e foi em agosto que professores e alunos colocaram a mão na massa. A semente foi lançada, como mencionou o professor Luciano Veiga, agora é regar todos os dias para não deixar morrer. Os resultados já são perceptíveis, pois o cotidiano escolar já está mais harmonioso e os intervalos mais tranquilos”, destacou a gestora. Tendo a empatia como pano de fundo, as turmas da manhã e da tarde abordaram temas diversos, como bullying, homofobia e diversidade, família, trânsito, bem como criaram experiências onde foram discutidos sentimentos díspares, como amor e ódio.
Dandara Damasceno dos Santos, aluna do 9º ano, fez parte da equipe que trabalhou o tema bullying e ressalta que o tema foi tratado com muita seriedade. “Fizemos um painel com histórias de superação, desenhos de crianças mostrando como elas enxergam o bullying, enquete para as pessoas contarem se já sofreram ou se já fizeram bullying, dentre outras ações. Unimos forças para acabar com isso que está acontecendo atualmente. São muitos suicídios, vidas sendo destruídas por causa deste mal”, desabafa.
O 7º ano B resolveu criar uma dinâmica diferente. Uma espécie de labirinto, onde os visitantes tinham o primeiro contato com filmes de terror, num ambiente escuro e palavras negativas. Tudo isso para haver um choque antes do contato com o lado positivo, como sinaliza o aluno Guilherme Cardoso Silva. “Depois da experiência ruim, a gente guia a pessoa pelo labirinto até chegar no lado positivo, onde pode-se ouvir uma música agradável e ouvir palavras boas, de incentivo, carinho e respeito”.
Para abordar a falta de empatia com pessoas LGBTs, o 8º ano B também caprichou. “Criamos uma dinâmica onde as pessoas passam por uma série de palavras ofensivas, geralmente direcionadas para essas pessoas. Em seguida, elas passam por um cartaz que fizemos para mostrar que cada um pode ser o que quiser. Temos também um gráfico com os índices de homofobia no Brasil e na Bahia, o ‘espaço glamour’, com fotos de artistas da comunidade LGBT. No final tem uma brincadeira, passando glitter e purpurina em quem vem nos visitar. Tudo isso pra fazer as pessoas terem um olhar mais empático e menos preconceituoso”, destaca.
Outra exposição que se destacou foi com foco nas pessoas com necessidades especiais. Nela, os alunos colocavam venda nos olhos, andavam de cadeira de rodas e tinham as pernas amarradas, tudo isso para simular deficiência física. Lavínia Araújo, aluna do 8º ano, falou sobre o impacto da experiência. “Foi muito difícil ver tantas dificuldades que essas pessoas podem enfrentar no dia a dia. Isso chama a gente pra realidade e literalmente nos coloca no lugar do outro, onde a gente nunca imaginou estar”, finaliza.