A Escola Municipal Alexandrina Santos Pita, localizada em Pirajá, apresentou na quinta-feira (26) a culminância do projeto “O Tempo Não Para”. Durante dois dias, os estudantes fizeram exposições de trabalhos sobre a temática, abordando desde a criação do relógio de areia, passando pelo comportamento das pessoas na alimentação, cultura, comunicação, transporte, bairros de Salvador e toda a complexidade que o tema exige.
Foram dois meses debruçados na execução dessa atividade, que provocou muitas reflexões sobre o que estamos fazendo com o nosso tempo. Por todo o canto da unidade escolar, a provocação em relação ao tempo era evidente, desde um letreiro eletrônico logo na entrada da instituição com indagações sobre o tema, a área de lazer com exposições de arte com pinturas inspiradas no quadro de Salvador Dali “A Persistência da Memória”, além de desenhos mostrando o tempo de gestação e os hábitos dos animais.
“A proposta é fazer pensar sobre o tempo, a partir de diferentes vieses. Cada turma ficou com um subtema para trabalhar a noção de tempo. Alguns pesquisaram sobre a evolução tecnológica, outros na forma de pensar ao longo do tempo, outros na evolução da língua, da alimentação…Os estudantes do Ensino Fundamental I ficaram responsáveis pela apresentação de dança e do Fundamental II com stands em sala de aula apresentando como a história do país mudou com o tempo”, explica a gestora Lourdes de Paula Pedro.
A origem dos bairros de Salvador também foi um dos assuntos abordados no projeto. “Eles estudaram os bairros históricos do Subúrbio Ferroviário, como a cidade era ontem e hoje, ou seja, a história da cidade onde eles moram. Através de fotografias atuais e antigas, acharam interessante principalmente em nosso bairro, Pirajá, que lugares hoje cheios de construções, antigamente eram bem diferentes, com muita mata, por exemplo”, afirma Cláudia Gomes, professora de Língua Portuguesa.
A aluna do sétimo ano, Camila Oliveira, responsável pela pesquisa do Pelourinho, percebeu o quanto o lugar mudou. “Antigamente era um bairro desvalorizado e hoje o Centro Histórico é um ponto turístico com grande concentração de restaurantes, bares e casas culturais que recebem visitantes do mundo inteiro”, diz a aluna.
Pelos corredores, um movimento intenso de estudantes correndo contra o tempo para aproveitar cada instante das instalações nas salas de aula. No 6º B foi instalada uma mini sala de cinema, com direito a bilheteria e uma fila imensa de curiosos, recepcionados por uma aluna caracterizada de Charlie Chaplin. Na telona, o filme “Tempos Modernos” – produção clássica, lançada em 1936, que revela a vida dos operários durante a revolução industrial, na passagem da produção artesanal para a produção em série.
“Nós conseguimos perceber que esse trabalho melhorou a oralidade dos alunos. Eles conheceram palavras novas, pesquisaram sobre a evolução do cinema. Foi muito gratificante mostrar desde o cinema mudo até os Vingadores e que, tanto as produções antigas com os recursos da época, quanto as exibições atuais são interessantes”, contou a professora de História, Patrícia Salles.
“Aprendi muito com essa pesquisa, achei legal toda a mudança que aconteceu no cinema, antes era mudo e preto e branco e hoje, com a evolução da tecnologia, podemos ver imagens perfeitas”, contou a estudante Stephanie de Freitas, 6º ano.
A disciplina de Ciências trabalhou sobre alimentação e observou a mudança de hábito e o quanto isso refletiu na saúde. Os estudantes convidaram uma nutricionista da rede para participar da apresentação, para mostrar que, com o passar do tempo, por exemplo, o homem deixou de descascar para abrir embalagens. “Eles fizeram uma pesquisa sobre alimentos in natura, industrializados, processados e ultraprocessados e quais os benefícios de uma alimentação saudável. A atividade contribuiu muito para incentivar os alunos a comerem alimentos ricos em nutrientes, frutas e verduras… Expliquei que os legumes em lata são ultraprocessados e contém em sua composição açúcares e gorduras. Orientamos ainda que devemos ingerir mais alimentos in natura ou minimamente processados”, destacou a nutricionista Roselaine Oliveira.
O trabalho consiste ainda numa segunda etapa, na qual os alunos depositarão dentro de uma cápsula registros do projeto e cartas escritas por eles com suas expectativas para o futuro. A cápsula permanecerá fechada por cinco anos.