A Escola Municipal João Lino, localizada no Centro Histórico, está entre as premiadas em edital que conecta educação e território. O projeto idealizado pelo Instituto Tomie Ohtake escolheu dez unidades escolares públicas brasileiras que desenvolvem ações ou projetos pedagógicos, que fortalecem parcerias e iniciativas englobando a igualdade de direitos, as tecnologias digitais e ancestrais, o brincar e demais temáticas relacionadas.
Esta é a oitava edição do prêmio que tem seus propósitos baseados nos Territórios Educativos e na Educação Integral, orientados pelo princípio de Cidade Educadora e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O prêmio que será entregue em São Paulo no mês de dezembro, é de R$ 8.500 em dinheiro, materiais pedagógicos para equipe e crianças, uma bolsa integral de graduação para um membro da comunidade escolar, um documentário gravado por cineasta e a viagem de premiação para duas pessoas da equipe.
A João Lino é a única unidade de ensino baiana entre as dez premiadas. “Nós não conhecíamos o prêmio Territórios Tomie Ohtake, recebi a divulgação do edital pelas redes de contatos e lendo a sua descrição, visualizei, de imediato, a nossa escola – ‘Nossa, isso aqui é a cara da João Lino’, por sua articulação com o território do Pelourinho e com as instituições de seu entorno”, compartilhou Rita de Cássia Natividade, gestora da escola.
É rotina da João Lino visitar os espaços e instituições culturais, pois esta prática contribui para que as crianças se identifiquem com a região onde vivem e desenvolvam o sentimento de pertença. “Ao entender que as crianças não se sentiam donas desse espaço, dessa história, a equipe escolar percebeu que precisava de um processo de articulação com o território, aprimorar o planejamento a partir do estudo, da pesquisa e do diálogo com as academias, principalmente com a Universidade Federal da Bahia. A escola se articulou com historiadores e pesquisadores da temática étnico-racial e começou a traçar um planejamento anual”, explica a gestora.
A criação do projeto “Eu criança do Pelô” possibilitou a aproximação das famílias e da comunidade com a unidade escolar. De acordo com Rita as instituições foram ampliando o olhar para a escola. “Nós começamos a ganhar em qualidade. As nossas mostras pedagógicas surgiram com a ideia de publicizar isso que vínhamos fazendo; certa vez, a equipe do Museu Nacional de Enfermagem Ana Nery (MuNEAM), vizinho da nossa escola, foi nos assistir e ficou encantada com a produção das crianças e em como elas traduziam e expressavam, a partir da arte, o seu entendimento sobre as questões étnico-raciais – com ênfase na história e cultura afro-brasileira, afinal de contas, nós estamos no Pelourinho e a Lei 10.639 termina sendo a nossa realidade”, contou Rita de Cássia.
A gestora ressaltou ainda que ao estreitar os laços com o território, as famílias começaram a se enxergar dentro da prática pedagógica de uma escola formal. “Nesse processo de articulação, temos uma relação próxima com o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), com o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), com o Conselho Tutelar, com o posto de saúde Terreiro de Jesus, de forma que o agendamento das nossas crianças acontece com muita fluidez.
Trechos da matéria publicada no site da Avante