FIEMA lança exposição “Mulheres Negras: Uma História Bem Contada”

17 de Maio de 2010 - dev

Pautada na proposta de garantir, dentre outras diretrizes, a inclusão das questões de gênero, raça e etnia nos currículos educacionais, a Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SECULT), através do Fundo Municipal para Desenvolvimento Humano de Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescendentes (Fiema), levou nesta segunda-feira (17) para a Escola Municipal Senhor do Bonfim, Plataforma, a exposição fotográfica “Mulheres Negras: Uma História Bem Contada”.

A exposição itinerante, que é composta por fotos de 11 mulheres negras de destaque na sociedade, foi lançada hoje e vai circular até o final do mês de outubro por também 11 escolas da rede municipal de ensino, incluindo sempre uma mulher negra do entorno escolar, escolhida pelo alunado e pela gestão para serem também homenageadas. “Esse projeto reúne e resgata a memória histórica de professoras, enfermeiras, jornalistas, militantes e desafiadoras de um longo processo discriminatório”, enfatizou Juçara Rosa, coordenadora executiva do Fiema.

A exposição ficará por sete dias em cada unidade escolar. Por isso, os cerca dos 750 alunos da Municipal Senhor do Bonfim e a comunidade da região ainda poderão contemplar o projeto por mais alguns dias. “É uma maravilha termos aqui na nossa escola tipos de projetos como esses. É muito bom podermos aprender um pouco mais sobre a cultura negra”, disse admirado Bruno Weuler Anunciação, aluno do 5º ano da municipal.

Já para o gestor da unidade, Antônio Carlos Conceição, que tanto se alegrou em ver sua escola sendo a primeira a receber a exposição, o mais importante é mostrar ao alunado o trabalho reconhecido de mulheres negras que cresceram em uma sociedade como a deles, dando à certeza de que eles podem sim ter oportunidades como as delas.

A advogada Silvia Cerqueira, autora do livro “Poder da Saia”, conselheira do Fiema e uma das homenageadas pelo projeto, também esteve presente na unidade, e se declarou emocionada e muito satisfeita com o trabalho realizado. “Agradeço a Secult pelo belo trabalho efetivado sempre com muito respeito e grandiosidade. Sinto-me honrada muito mais por poder mostrar sua trajetória de luta, resistência e persistência às crianças que vêm de comunidades periféricas como a minha. É poder provar a esses meninos que eles não precisam crescer se sentindo marginalizados”, disse, emocionada.

O Fiema lançará ao final da ação, no mês de novembro, para todas as unidades da rede, um álbum seriado com histórias, depoimentos e fotografias das homenageadas.

As homenageadas:

– Valdina Pinto- Makota do terreiro Tamuri Jumsara (Makota Valdina);

– Márcia Short – cantora baiana que estreou no carnaval de Salvador em 1998;

– Goya Lopes – soteropolitana, formada pela UFBA em Belas Artes com especialização em Firense (Itália);

– Mãe Stella de Oxossi – líder no Ilê Axé Opô afonjá desde 1976;

– Silvia Cerqueira – conselheira do Fiema, advogada e escritora;

– Luislinda Santos – primeira juíza negra do país;

– Ivete Sacramento – primeira reitora negra do Brasil;

– Dona Cici (Nancy de Souza) – contadora que utiliza histórias para resgatar e valorizar a cultura afro-brasileira;

– Izabel Pinho – delegada atuante no enfrentamento à violência contra a mulher e ex-titular da Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (DEM);

– Ana Célia da Silva – Professora e doutora reconhecida nacionalmente pelas contribuições para a educação do país;

– Vilma Reis – Educadora conferencista e professora de sociologia da UNEB.