Há 189 anos, ocorria em Salvador a Revolta dos Malês

25 de jan de 2024 - Jornalismo

 

A Cidade do Salvador foi acometida por um ciclo de rebeliões realizadas por povos africanos(as) islamizados(as) que tiveram início no final do século XVIII e que envolveram diversas outras localidades no recôncavo baiano. Dentre essas rebeliões, a Revolta dos Malês, que é considerada um dos maiores levantes de africanos escravizados da história do Brasil.

O termo malê era uma designação dada aos negros muçulmanos, e tem origem na palavra imalê, que significa “muçulmano” na língua iorubá. Os malês também eram conhecidos como nagôs na Bahia, designação dada aos negros falantes da língua iorubá oriundos da região que hoje compreende parte litoral dos atuais países conhecidos como Benim, Togo, e Nigéria.

De acordo com o plano, os revoltosos sairiam do bairro da Vitória (Salvador) e se reuniriam com outros malês vindos de outras regiões da cidade, na região da Ladeira da Praça e Praça Municipal. Todos usariam seus abadás brancos. O plano do movimento foi todo escrito em árabe.

Assim, a revolta ocorreu no dia 25 de janeiro de 1835. Contudo, segundo conta nos autos, o plano chegou aos ouvidos do juiz de paz de Salvador José Mendes da Costa Coelho, o que possibilitou que os soldados das forças oficiais conseguissem reprimir a revolta.

Bem preparados e armados, os soldados cercaram os revoltosos na região de Água dos Meninos. Violentos combates ocorreram neste dia e no conflito morreram sete soldados e setenta revoltosos. Cerca de 200 integrantes da revolta foram presos pelas forças oficiais. Todos foram julgados pelos tribunais. Os líderes foram condenados à pena de morte. Os outros revoltosos foram condenados a trabalhos forçados, açoites e degredo (enviados para a África).

Dentre os participantes, podemos destacar a presença de Luís Sanim, Manoel Calafate, Pacífico Licutan, Ahuna; Luiza Mahin, Dassalu ou Damalu; Elesbão do Carmo, Dandará (haussá); Gustard e Sule.

Atualmente, em memória ao povo que lutou por liberdade, o bloco afro Malê Debalê, desde a sua fundação em 23 de março de 1979, vem atuando em prol do movimento negro com atividades culturais e socioeducativas, em sua sede social, localizada nas proximidades da lagoa do Abaeté, no bairro de Itapuã, na cidade do Salvador.

Texto: Núcleo de Políticas Educacionais das Relações Étnico-Raciais (Nuper) da Secretaria Municipal da Educação (Smed)

Card: Ascom/Smed