Educadores da Rede Municipal de Ensino participaram na terça-feira (11) de formações ligadas a temas étnico-raciais: o curso Primeira Infância Antirracista, na sede da Organização do Auxílio Fraterno (OAF), e a formação em Educação para as Relações Étnico-Raciais, no auditório do hotel Quality.
Promovido em pelas secretarias municipais de Educação (Smed), de Políticas para as Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) e da Saúde (SMS), além da Unicef e do Núcleo Especial de Apoio à Primeira Infância (Neapi) da Secretaria Municipal de Governo (Segov), o curso Primeira Infância Antirracista contou com a participação de 200 educadores da rede municipal de ensino. A atividade também foi voltada aos agentes comunitários de saúde.
A ação é dividida em dois momentos, sendo que, no período da manhã, são realizadas palestras e, à tarde, há uma discussão em grupos, onde cada um abordou a temática dos impactos do racismo na primeira infância. Segundo a coordenadora de Educação Infantil da Smed, Karla Chaves, os materiais dos professores, crianças e família estão sendo revisados em uma perspectiva afro centrada e antirracista. “Já incluímos a temática de discussão desse pertencimento e dessa ancestralidade desde os bebês até as crianças maiores”, pontuou.
Entre as ideias apresentadas pelos grupos foi promover o orgulho da criança quanto à aparência étnica e apresentar heróis e figuras negras para a juventude desde o começo do aprendizado. Outra proposta foi falar da cultura negra no contexto cristão, expressando também a liberdade religiosa. “O evento está maravilhoso, foi organizado com muito carinho, trouxemos palestrantes qualificados para dar fortalecimento a essa pauta que é tão importante para a primeira infância”, declarou a coordenadora de Transversalidade da Smed, Gilmara Santos.
A coordenadora pedagógica da rede municipal, Edilene Fonseca, ressaltou que a maioria do público atendido é composto por crianças negras. “Então, fico muito feliz pela iniciativa da Unicef, junto com a Prefeitura, para disparar essa pauta e que a gente efetivamente consiga praticar e empreender boas práticas para segurar uma infância bem vivida e protegida dessas atitudes racistas”, disse.
Relações Étnico-Raciais – A Formação em Educação para as Relações Étnico-Raciais, promovida pela Associação Bem Comum e a Escola Afro-brasileira Maria Felipa, proporcionou reflexões importantes para educadores de diversas redes municipais de educação da Bahia. Durante a palestra “Como ser um educador antirracista”, a professora Barbara Carine Pinheiro apresentou conceitos relevantes e essenciais para as práticas cotidianas no combate ao racismo na escola. Também deu sugestões de atividades a serem devolvidas a partir da experiência da Escola Afro-Brasileira Maria Felipa, da qual é sócia e idealizadora.Coordenadoras pedagógicas das gerências regionais e técnicos da Secretaria Municipal da Educação (Smed) participaram da formação, que contou com a presença da diretora Pedagógica Cátia Veronica Dantas, da gerente de Inclusão e Diversidade, Daniela da Hora, da gerente de Currículo, Melissa Barreto, e da gerente de Formação, Consuelo Almeida.
Na programação, foram destacadas experiências exitosas nos municípios. Salvador apresentou a Mostra Criativa, atividade resultante do Projeto Salvador de Arte, Educação e Cultura Negra. De beleza ímpar, o trabalho reúne em um único espetáculo as experiências produzidas pelas escolas da rede municipal de educação, durante o ano letivo. A organização e produção do espetáculo é feita pelo professor Lázaro Machado, da Escola Municipal Maria Dolores, localizado no bairro do Beiru, em Salvador.
A Mostra Criativa é resultante das ações do Comitê Técnico de Supervisão e Acompanhamento das Ações de Implementação das Leis nº 10.639/03 e 11.645/08 no Município de Salvador, criado através do Decreto nº 28.853 de 14 de setembro de 2017, formado pelas Secretarias de Educação, de Reparação, Secretaria de Cultura e Turismo, através da Fundação Gregório de Mattos e Conselhos Municipais de Educação e das Comunidades Negras.