A professora Eliane Silva Souza, da Rede Municipal de Educação de Salvador, é a responsável por um capítulo do livro “De analógico a digital: novos paradigmas na educação”, organizado por Maria Luiza Heine e Cláudia Paranhos de Jesus Portela, ambas docentes do Programa de Pós-Graduação Gestão e Tecnologias Aplicadas à Educação (Gestec) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).
A publicação foi lançada na manhã da segunda-feira (11), no Foyer do Teatro UNEB, durante a aula inaugural dos programas de pós-graduação em educação da Uneb. No capítulo “Percurso de formação com tecnologias digitais”, Eliane Silva Souza, professora da Escola Municipal Professor Carlos Formigli e que atua há mais de dez anos na Rede Municipal, aborda o contexto de formação de professores, resultante da parceria entre a Secretaria Municipal da Educação (Smed) e a Uneb, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). O Programa é da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e tem por objetivo fomentar a formação inicial e continuada de profissionais do magistério básico, numa ação que articula a participação de estudantes dos Cursos de Licenciatura das Universidades Públicas nas escolas da Educação Básica sob a supervisão de professores da Universidade.
Segundo ela, o capítulo visa dialogar sobre a formação dos professores com o uso de tecnologias digitais, já que foi através das aprendizagens propiciadas pelo percurso formativo vivenciado com o Pibid que descobriu formas de inserir as tecnologias digitais em sala de aula. “Aos 42 anos, faço parte de um grupo de pessoas que precisou fazer esse movimento de aprendizagem sobre o diálogo das tecnologias com a educação, para tornar as aulas mais significativas e até desencadear em inovações. Através da participação no Pibid, acompanhei estudantes de licenciatura em Pedagogia fazendo a iniciação à docência em classes de educação de jovens e adultos na Escola Municipal Deputado Gersino Coelho e, vinculado ao subprojeto, havia um banco de aulas e um ambiente virtual de aprendizagens (AVA). Toda discussão tecida, presencialmente e no AVA, culminava em produção de aulas e testagem das mesmas após avaliação do professor docente, do supervisor – que era a função que eu desenvolvia, e pelo professor coordenador, que é da universidade. As aulas, após validação no chão da escola, eram disponibilizadas no banco de aulas. Nesse processo, encontrei subsídios para pensar possibilidades de uso da tecnologia e fazer essa transição do analógico para o digital, pois como professora, senti a necessidade de me apropriar desses novos dispositivos”, detalha.
O livro está estruturado em três partes: a primeira se baseia nas “novas tecnologias aplicadas à educação”, enquanto a segunda aborda “educação inclusiva e tecnologia assistiva” – termo utilizado para identificar Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência. Já a última parte, traz “relatos de experiência” docente.
De acordo com a professora, a experiência que possibilitou a elaboração do capítulo escrito por ela teve início em 2014, quando ainda atuava na Escola Municipal Deputado Gersino Coelho, e se estende até março de 2018, já atuando na Escola Municipal Professor Carlos Formigli. Nesse período, foi bolsista de supervisão do PIBID. “Foi através dessa experiência que pude, a partir da imersão no AVA Zuppa do Saber, construir os fios da discussão apresentada no capítulo que escrevi. Evidencio a potencialização da relação entre escola de educação básica e universidade na formação continuada de professores e a ressonância dessa relação no desenvolvimento de práticas inovadoras na nossa Rede Municipal de Ensino”, conclui.


