Projeto de valorização da cultura afro e indígena é realizado na Escola Municipal de São Cristóvão

27 de dez de 2018 - Jornalismo

A professora de dança Lina Costa, da Escola Municipal de São Cristóvão (GRE Itapuã), realizou neste ano o projeto “Minha identidade cultural Afro Brasileira e Indígena” com os alunos da instituição. No primeiro semestre, os alunos estudaram sobre os costumes e danças do povo indígena, inclusive com a visita na escola dos índios da tribo Kariri Xocó, que levaram artesanatos, dançaram, cantaram e conversaram com as crianças. Já no segundo semestre, a abordagem foi acerca da cultura Afro Brasileira, trabalhando dança afro, capoeira, maculelê, dentre outros.

De acordo com a docente, o objetivo foi abordar a valorização da cultura indígena e da cultura afro brasileira. “Sempre pontuei as diferenças físicas e culturais entre as pessoas para os alunos reconhecerem aquilo que herdamos desses povos e quebrar os preconceitos que temos com cabelo, cor, tipo de nariz, religião e tantos outros aspectos que foram abordados”, explica.

Com os alunos do 3º ano, o trabalho voltado para a construção da identidade, os estudantes construíram bonecos de pano para que eles se reconhecessem nos mesmos pela cor da pele, cabelos e vestimentas. No total, foram feitos 112 bonecos, com o apoio da professora de artes visuais, Luisa Cristina. “Primeiro eles desenharam os bonecos, de acordo com a forma que eles se viam, depois eles cortaram os bonecos em feltro preto, marrom ou bege e foi ai que percebemos que algumas crianças negras queriam o tom mais claro. Era nesta hora que explicávamos a importância de assumir a própria identidade”, enfatiza Lina Costa.

A culminância do projeto foi dividida em três dia, cada um voltado para um aspecto cultural. No dia da Música, 21 de novembro, foi convidado o projeto “Tamborizando” do percussionista Cristiano Pacheco. O projeto foi criado em 2010 e faz uma oficina com os alunos apresentando alguns instrumentos percussivos, informando a origem, de qual material é feito e mostrando como tocar cada um deles. Depois ele explora a criatividade dos alunos convidando para tocar com ele. A ideia é mostrar as origens de matriz africana através dos instrumentos e da música. Para encerrar, houve a apresentação do coral “Flor de Lis” do professor Marlo, com o projeto MPB (Música Preta Brasileira).

No dia da Dança, 22 de novembro, foi a vez dos alunos dos 4º e 5º anos se apresentarem com danças de maculelê, capoeira, samba de roda e dança afro. Para o encerramento a professora Lina levou o grupo de dança da Escola Municipal Barbosa Romeo, também de São Cristóvão.

No dia 23 de novembro, Dia da Beleza Negra, toda a comunidade escolar (alunos, porteiros, merendeiras, direção e coordenação) desfilou com elementos de valorização identitários, como roupas com estampas afro, maquiagens temáticas e turbantes. Na ocasião, os alunos do 3º ano desfilaram com os bonecos confeccionados no projeto. Houve ainda a participação da cantora Lia, participante do The Voice Kids, que desfilou, dançou e cantou alguns sucessos.

Para o encerramento, houve a apresentação do grupo de percussão da ONG Doutores D’Alma. “Este foi um projeto muito rico, e no final eu percebi a mudança no comportamento dos meninos. Eu perguntava na sala de aula quem tinha orgulho das suas características e todos já levantavam a mão, se reconhecendo e se valorizando exatamente como são”, finaliza a professora.