Smed realiza capacitação para profissionais da educação reconhecerem os sinais de autismo

20 de set de 2019 - Jornalismo

Nos dias 12 e 13 de setembro, foi realizada uma capacitação para reconhecimento dos sinais de autismo, direcionada aos profissionais de educação e saúde. Este evento é uma parceria entre a Secretaria Municipal da Educação (Smed), a comissão de saúde da Câmara de Vereadores e a Secretaria Municipal de Saúde que visa tornar a capital baiana, a primeira cidade a ter toda sua rede municipal capacitada para identificar os sinais precoces do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O TEA é um grupo de distúrbios do desenvolvimento neurológico de início precoce, caracterizado por prejuízos nas habilidades sociais e de comunicação, associados a comportamentos e interesses restritos, repetitivos e estereotipados. De acordo com especialistas, quanto mais precoce for o diagnóstico, maior a chance de inclusão da pessoa na sociedade.

Para a Coordenadora de Inclusão Educacional e Transversalidade da Smed, Jaqueline Araújo a capacitação é de extrema importância para a rede municipal de ensino, onde constam 1.138 alunos com TEA. “O foco da formação é auxiliar os profissionais da educação a identificar sinais dentro da própria escola, e ajudar a família a se fortalecer porque muitas vezes não percebe que há algo diferente no comportamento da criança que pode ser rotulada como uma criança agressiva, inquieta… Será que por trás dessa representação não tem algo mais? É fundamental que as estratégias pedagógicas sejam desenvolvidas e realizadas considerando o potencial e a capacidade dos alunos.”

A coordenadora orienta que, caso o aluno apresente algum sinal, o professor deve entrar em contato com a família. “No site da secretaria há o documento ‘Somos Todos Iguais na Diferença’ onde consta o endereço de todas as instituições especializadas em Salvador que atendem gratuitamente as pessoas com TEA, a professora identifica e sinaliza para a família. A direção da escola também disponibiliza um formulário de referência para as instituições parceiras da Secretaria”, explica Jaqueline.

A capacitação foi ministrada por Michele Santana Firme, Enfermeira Especialista em Autismo, com especialização em Análise do Comportamento Aplicado ao TEA, Fundadora do Projeto TEA e mãe de Autista. Ela cita alguns sinais que podem ser identificados desde cedo numa criança com TEA, o que facilita no tratamento. “A criança que não faz um contato visual com outra pessoa, não sorri socialmente, tem atraso na fala, não brinca com outra criança, brinca com o mesmo brinquedo, demora de andar, quando alguém chama não atende… são alguns sinais que nos deixam em alerta” afirma Michele.

Conforme o médico e presidente da Comissão de Saúde, Maurício Trindade, trata-se de um transtorno que não tem cura ainda, mas em tratamento melhora muito a vida da criança. “A ideia é abraçar as famílias que às vezes não conhecem ou não aceitam que seu filho tenha o espectro autista. Muito importante a identificação precoce e inclusão da pessoa na sociedade. Essa série de seminários que estamos fazendo com as escolas já foi feita no Hospital Municipal e acredito que tornaremos Salvador uma referência no Brasil e no mundo em identificação precoce”, destaca Maurício Trindade.

Muito atenta às informações da capacitação, a recepcionista de uma clínica e mãe de autista, Uberlândia Lopes, revela o quanto foi importante o diagnóstico precoce do seu filho. “Meu filho foi identificado na escola com TEA aos três anos, foi muito difícil para a família aceitar, até então achávamos que era nervosismo, mau comportamento, que não era nada demais. Mas eu fui à luta e hoje ele tem 11 anos, faz tratamento numa instituição, já está mais independente, tem dificuldade nos estudos, tem o comportamento ainda um pouco agressivo, mas melhorou muito, já se socializa normalmente, graças ao tratamento multidisciplinar que ele recebe”, contou Uberlândia.

A professora da Escola Municipal de Nazaré, Edenilsa Oliveira da Paixão Moreira, que tem especialização em Educação Especial afirma que as professoras da escola regular tem esse contato mais próximo com os alunos e por isso percebe com mais facilidade quando há algo diferente no comportamento. “A partir dessa concepção podemos conversar com a família e dizer que tem algo diferente ou perguntar se os pais perceberam determinado comportamento. Não só as crianças agitadas nos chamam atenção, mas aquelas retraídas também. É de extrema importância para o professor participar dessa formação. Estamos atentos a essas oportunidades, vou ser a multiplicadora do que estou aprendendo aqui”, afirmou Edenilsa Moreira.

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